O novo normal: alcançando a aceleração digital em 5 passos. Em um mundo pós-pandemia, a lei é "ser digital ou morrer"

por Fábio Lima e Beatriz Davanço


"Estamos vendo dois anos de transformação digital em dois meses", disse recentemente Satya Nadella, diretor executivo da Microsoft, a gigante de tecnologia. Há anos já se vinha falando sobre transformação digital. Algumas ações que direcionavam a transformação, que já estavam em ascensão desde o ano passado, foram amplificadas pelo coronavírus, impondo mudanças substanciais - e definitivas - no comportamento do consumidor, instaurando o novo normal.  

No Brasil, um estudo conduzido pela ESPM Rio feito entre os dias 28 de abril e 1º de maio apontou que o comportamento de compra online se tornou (ainda) mais racional durante o confinamento. Dentre os entrevistados, 45% fizeram ao menos uma compra online nos últimos dois meses. Dessas compras, 70% indicaram que foram compras ligadas ao conforto do lar, ou à produtividade no trabalho ou nos estudos, como fones de ouvido e teclados. Diante desse novo cenário, é imperativo abordar o digital sob a ótica da aceleração. Tornar-se digital e absorver novas tecnologias não é mais opcional, ou um trajeto a médio prazo para se manter relevante: é necessário para sobreviver. E em breve, será determinante para sequer existir.  

Hoje, as empresas estão tendo que sair da inércia e se adaptar da maneira que nunca imaginaram - e as que não conseguem acelerar esse processo estão, infelizmente, enfrentando problemas. Um caso de sucesso no país é a Magazine Luíza, uma das maiores plataformas de varejo do Brasil, que mesmo diante do cenário de pré-pandemia, já conseguia ostentar 48% das suas vendas totais no e-commerce. No primeiro trimestre deste ano, já sob o efeito do confinamento, o e-commerce cresceu 73%, atingindo R$4,1 bilhões e 53% das vendas totais, enquanto o marketplace cresceu 185%, representando 30% do e-commerce total. 

Esse crescimento exponencial do marketplace é um grande indicativo para empresas que atuam no mercado de varejo e que ainda não estão online iniciarem suas operações. Essa estratégia também é reforçada na tendência de comportamento segundo o estudo recente "The Future Shopper Report 2020", da Wunderman Thompson Commerce, em que, em uma crescente parte dos casos, a jornada de compra tem se iniciado em plataformas de marketplace ao invés de ferramentas de busca. Grandes players nacionais como Mercado Livre e B2W têm sido fortes aliados para a estreia da jornada digital dos varejistas de diversos segmentos. 

Mas para que uma estratégia digital seja bem-sucedida, é crucial entender onde o negócio de uma organização se situa frente aos concorrentes, entender o que pode dar errado e ter um processo sólido ao desenhar o projeto. Após liderarmos nos últimos trimestres inúmeros processos de transformação digital, desenvolvemos cinco passos a serem tomados para alcançar a aceleração.  

01 - Ir a campo
Mapear oportunidades dentro da empresa de expansão para o meio digital. Análise de concorrentes e de segmentos similares, ou de outras estruturas operacionais que podem ser replicadas ou formatadas para o meio digital. 

02 - Definir os indicadores-chave do negócio
Selecionar os indicadores-chave de desempenho, que são determinantes para o sucesso da empresa. 

03 - Identificar as tecnologias que geram oportunidades
A tecnologia digital abre oportunidades de melhorias e otimização de processos e operações de forma mais rápida, eficiente e com menores custos. Perceber as tecnologias aplicáveis é criar um valor digital sólido. 

04 - Tratar dados como ativos
Reunir e analisar sistematicamente os dados disponíveis, gerenciá-los como um ativo estratégico e usá-los no momento da tomada de decisão é imprescindível. A adoção de tecnologias permite não apenas a contextualização de dados novos e existentes, mas também fornece insights e informações acionáveis a curto prazo, até mesmo novas oportunidades de mercado. 

05 - Recomeçar
A constante revisitação dos indicadores e análise de dados garantem a otimização do gerenciamento e a manutenção de ativos, aumentando a eficácia geral do processo e gerando melhores e únicas experiências ao cliente final.
Embora essas ações práticas possam ser óbvias, estão desempenhando um papel sério na formação do futuro das organizações. É vital, antes de tudo, aceitar que o movimento deve ser feito hoje. Por menos que se saiba o que virá a seguir no cenário delicado pós-coronavírus, ainda somos capazes de compreender que as pessoas com melhor poder de adaptação são aquelas que olham para os problemas sob o viés da oportunidade, e que têm a sensibilidade de reconhecer o que está acontecendo ao seu redor, com ares de futurismo. Apesar da necessidade de se concentrar em tecnologia e processos, a verdadeira aceleração digital ainda é cultural. 

Artigo escrito pelo Sócio e head de Estratégia Fábio Lima em colaboração com a Diretora de Produtos e Plataformas Beatriz Davanço na soloed_.